terça-feira, 13 de maio de 2008

Açougue

Vende-se
pedaço cardíaco de carne
retalhado em bifes

Não é dos mais frescos,
mas é macio,
agradável de gosto
e digestão

Preço:
Quem o esquente,
frigideira ou forno,
bem temperado,
Sazon à gosto

Caso contrário
o cárdio de carne
vai continuar
cá, lacerado
se estragando
disposto em postas
largado às moscas



Não tenho escrito muito. Isso aí foi só um rascunho pouco trabalhado dessa semana, quando Buarque falou no meu ouvido: "que te retalha em postas/ mas no fundo gostas". Pude vizualizar bifes grossos de coração em um fundo branco, pude senti-los na minha caixa toráxica.

6 comentários:

Bárbara Araújo Machado. disse...

"Eu fiz um poema sobre bife"
"Sério? hahaha"
"Pois é, tá feia a coisa"

; daniel disse...

meu pedaço de carne está largado às moscas faz tempo.

daniel,

danielvelloso.blogger.com.br

; daniel disse...

hahaha
Saudações!
Eu tenho essa mania de nunca me identificar, eu "comento e pronto".
Não lembro sinceramente como te achei, mas gostei do que tu escreves. Na verdade eu tava sentindo falta disso. Coisas interessantes pra se ler. Ai parei aqui :)

ps: nem sabia que tu eras do RJ.
ps²: ah, eu também faço poema sobre qualquer coisa! rs

daniel,

danielvelloso.blogger.com.br

Erick Carvalho disse...

Em tempos de veganismo emocional e comedores de bife passionais, seu poema é um libelo a liberdade de amar e ser amado e mais que isso, é um quase um grito de geração espontanea que clama que se crie vida de uma carne que apodrece. Mas o amor cura a vida, como já diria nossas aulas de latim, e no fim das contas, tudo se transforma aos poucos.

E seu poema, obviamente, me deu fome.

Mas essa ultima frase tira o resto do comentário de contexto, acho. hehehe

[ana] disse...

opa. tô visualizando isso agorinha.

Bárbara Araújo Machado. disse...

Esse poema é o cão chupando manga!