terça-feira, 29 de julho de 2008

Chuva no meu sertão.

Sem ti, virei um.

Tive que saber andar só
nos solos ariscos
do semi-árido do mundo.

E foi bem.

Natural que os sonhos caiam,
a vida mude,
a gente ande crescido
com a bagagem de tristeza nas costas.

Cresci.
Um só,
mala nas costas.
O semi-árido do mundo
enredando meu coração.

Eis que apareces,
altivo do céu de lugar nenhum
pingando uma gota de dó
que me encharca os olhos,
tempestadeia minhas horas
e me varre o sentido.

Os outros ficam o sendo, só
e eu mal entendo
como a tua gotazinha
penetra meu solo seco
mais fundo que qualquer chuvaréu.

Explode a flor da saudade.

Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Nosso futuro inchegado,
as vontades inconsumadas,
a camaradagem criança,
a tua minha proteção.

A tempestade passada,
fica o orvalho-lágrima
nessa planta que não morre
(não importa o tempo passe)
que tu brotaste em mim.

6 comentários:

O Apostador disse...

gostei...

Hugo Arruda disse...

Fazia tempo que eu não gostava tanto de um poema. Tanto de reler algumas vezes.

Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Nosso futuro inchegado,
as vontades inconsumadas,
a camaradagem criança,
a tua minha proteção.

Genial...

Boa, Kekinchan.

Carolina disse...

Bárbara, eu simplesmente adorei o que escreveu.

Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Nosso futuro inchegado,
as vontades inconsumadas,
a camaradagem criança,
a tua minha proteção. [2]



Beijos, menina!
(Carolina, sala do Hugo na UFF. Hahahaha!)

vanpato disse...

Os teus versos dizem mais que qualquer texto corrido.

Pois o texto em desabafo ou com opinião critica é apenas seu. Os versos que você escreve, no entanto, pertencem ao coletivo, ao grande sentir pulsante do mundo. Eles não mais te pertencem e por isso mesmo tem tamanha beleza aos olhos de quem os lê. Eles têm sentido além do bem e do mal.

=*

Hugo Arruda disse...

Só pq deu vontade de ler de novo.

Boneca sem manual disse...

eu ia comentar, mas vc é mto pop.
só digo q é bom.