Os poemas ficam bobos
quando se está encantado.
Feitiço difuso e esperto,
toma conta do sujeito
na surdina, bem discreto,
assoprando pra bem longe
a tristeza que há nas coisas,
arrumando os espaços
para as lembranças boas
e para as vontades tantas.
O encanto surpreende sua vítima
ao revelar-se casado
com a carne, com o mundo.
No final das contas,
a magia das coisas mundanas
é a mesma das coisas mágicas.
Ah... esse encanto!
Acalanta meu peito
cansado das batalhas,
faz ninar inquietações
e abarca meus pensamentos
quando o mundo tá querendo
me pintar de preto e branco.
Não,
se, pelo encanto,
sou colorido,
brilho luzindo
em tom desorientado
que não diz a que veio
nem pra onde vai.
O encanto faz dessas
travessuras com a gente.
Quando se vê,
já se sente.
Aí é isso:
Poemas abobalhados,
sorriso estampado.
A tristeza que me perdoe,
mas é que eu fui ali
e demoro pra voltar.
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2 comentários:
"A tristeza que me perdoe,
mas é que eu fui ali
e demoro pra voltar."
Sem mais.
Evolução. Sério.
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