Meu moreno foi-se embora
e eu fumei o meu cigarro
com meu jeito de poeta,
rindo do tal Bem-me-quer.
Olhei pra festa de longe
e vi poesia na cena.
Poesia nas garrafas,
líquido lasso poema.
A solidão tava ali,
dançando por entre as gentes.
Arisca, rindo-se toda
para os corações querentes.
A distância
aproxima os corpos
depois de alguns copos.
Mas isso é coisa de noite
somada à cerveja
e a alguns cigarros.
O samba tocando,
Baía brilhando...
faz certos desejos
tornarem-se claros.
Só o que não clareava
era o meu coração.
Me aparecia em lágrima
mas nunca me explicava
o que é pra eu sentir.
O vento fumou meu cigarro
e a solidão riu pra mim.
Eu saudei-a de volta
do meu jeito poeta,
ri do meu peito confuso
e fui-me embora da festa.
sábado, 30 de agosto de 2008
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5 comentários:
Eu fumei o meu cigarro caseiro e o vento apagou-o.
E varios sentimentos sorriam pra mim e pro meu cigarro apagado.
E eu não consegui o que queria (o vinho e outras coisas felizes)
Poema muito bom mesmo. Tá na linha do que eu disse que ta mudando em você. Ou pelo menos acho que está mudando.
belo demais.
demais mesmo. Esse poema está salvo no meu pc, agora. Uma imagem dos churrascos uffianos e uma das mais verdadeiras.
Também vi que a solidão dançava por entre as gentes. Ela me sorriu tanto que eu me encantei por ela, como o pescador se encanta pela sereia. E aí não consegui clarear meu coração também...
Ficou lindo, "migs"!
Os cigarros são os únicos que ficam sempre...
:)
é o tipo do poema que faz a gente viver a cena, e pelo visto todos os seus comantaristas viveram-na contigo.
báh
saudade de fazer mais parte da vida dos outros.
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