quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Sinfonia de Silêncios

Esse poema história veio vindo agora, sem nem eu muito entender. Fui escrevendo na esperança de ter uma surpresa no fim, com sorte alguma resposta. Não tive, e o poema tá meio sem final, sem começo, sem cabeça, sem pé.
A idéia é boa, com sorte eu consiga trabalhá-lo mais. Mas vai aí o que tem até agora, mais pela significação do momento do que pelo poema em si.
Mas como eu queria uma resposta, algum tipo qualquer de entendimento...



Pelo barulho cotidiano do mundo,
a sinfonia de silêncios caminha,
querendo camuflar-se entre as coisas.

E às vezes consegue.

O mundo se preocupa tanto
em manter seu embarulhamento,
que deixa o silêncio em seus cantos
quieto, silente, discreto,
sem se deixar perceber
que o silêncio
também sente.

Contudo, em pequenos quandos,
o silêncio se faz notar
- já que tudo que dista, destoa -
e o barulho do mundo o expreme
pra fazer o silêncio gritar.

"Fala, silêncio!", ele diz.
"Perdeu a língua, silêncio?", provoca.
"Silêncio, sai desse canto!
Se embarulha comigo,
que essa sua sinfonia
é um descompasso só!"

Descompasso.

O silêncio se descobre descompasso.
A sua sinfonia tão bonita,
a notação tão única das pausas:
descompasso.

O silêncio chora o seu descompasso.
O silêncio grita,
o silêncio se embarulha.

O mundo ri, sem interesse,
e segue regendo a sua
manutenção de barulheira,
sem se deixar perceber
que o silêncio
também chora.

Mas aí o choro acaba
e o silêncio ressereniza.
Cata os cacos,
volta aos cantos,
põe as pausas no lugar.
Nesses quandos
é só sinfonia.
Esses cantos,
bonitos que só.


o silêncio
sempre
refaz
seu canto.

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