quarta-feira, 10 de setembro de 2008

História de um poema que foi correndo e eu empaquei.

É genial o tempo passar.

Hoje pela manhã, quando o ônibus chegava no fim da ponte, eu comecei a escrever um poema enquanto ouvia Tudo passa, do CD novo do Marcelo Camelo, "Sou".

A idéia do poema veio toda sedutora, as primeiras duas estrofes pareceram perfeitas.

Só que aconteceu uma coisa que não me acontecia tem muito tempo: o poema, afinal, não aconteceu. Desci do ônibus, cheguei na UFF e reescrevi o dito cujo. Atrasada pra aula, deixei pra olhá-lo de novo depois. Mais tarde escrevi algumas outras versões, e poema foi caminhando por uns caminhos malucos, diferentes do que eu desejava. Tentei seguir atrás do poema, trabalhar com ele, ir até onde ele queria chegar. Andei depressa, cheguei a dar uma corridinha até. Mas não deu. Empaquei com o poema quando me dei conta de que eu não tinha nada pra oferecer pro Tempo.

A história é a seguinte: tinha esse alguém que não conseguiu viver certa coisa em vida e decidiu negociar com o Tempo, já que estava no fim dos seus dias. Propôs a Ele uma barganha através da qual a morte se transformaria numa vida nova, um espaço-tempo eterno que ia servir de palco pra essa certa coisa acontecer.

Tudo ia razoavelmente bem, até que eu me dei conta que uma barganha implica que os dois lados ofereçam e recebam alguma coisa. E o que é que o Tempo não tem?

Permitindo isso o Tempo,
dou-lhe em troca...
o quê?
o que é que eu tenho
pra oferecer pro tempo
em troca de transformar
a morte numa vida eterna?
O que é que o tempo não tem?
Ele já tem os dias e as horas,
tem as mudanças na História,
tem toda a Eternidade
O que é que o tempo não tem?

Parei aí. Mandei uma mensagem pra um amigo poeta que talvez me respondesse.

Direção, moral ou inércia.

Moral? Não.
Inércia... talvez agradasse o tempo, mas não é um presente bacana de se dar.
Direção?

Nem tenho isso não.

Empaquei aí. Decidi então desistir da barganha; ficar de repente com o clichê poético de desafiar o tempo. Só que aí... o poema não tava nesse caminho. Ficou ruim, a poesia não acompanhou. Até minhas primeiras estrofes perfeitas perderam todo o ritmo.

Mas foi tudo isso bom. Bom exercício de escrita, bom exercício físico também fazendo um jogging atrás do poema na estrada.

****

Tenho esse amigo que volta e meia canta sua bipolaridade. Vai ver nem é isso... é só que o tempo passa, os sentimentos mudam. Às vezes tão rápido que a poesia sai correndo e não dá nem tempo de escrever. Ela muda de caminho e a gente até empaca. As sensações (pensadas aqui como sentimentos manifestos no nosso humor) são ligeiras, se a gente se deixa levar. E às vezes isso pode ser tão bom...

...ver a tristeza passar correndo, presa no passado da noite anterior. Ver sorriso, afeto e graça brotarem de súbito, rir de algum riso bobo, ver no corriqueiro o engraçado.


Acho que esse texto fica mais como um intervalo no blog, que anda meio super-saturado de sentimentos demais.

E como um pedido de desculpas pelo poema malcriado aí embaixo, mas que vai continuar aqui, porque, sabem, malcriação pode ser coisa séria, hehe.

2 comentários:

Rafael Zacca disse...

é...
no final, tudo acarreta perdas, e ganhos.
não tem forma diferente.

então, quando as coisas se tornam efêmeras, ainda há o lado bom dessas coisas.

de qualquer forma, serenidade é o objetivo, acho.
mesmo sob certos custos.

um suspiro inacabado pra ti =)

Taiguara disse...

há mt concordo com a idéia expressa pelo Zacca: serenidade é o [melhor] objetivo. Sentir cada pequena sensação, cada suspiro e afago e, lógico, sentir também as dores e mágoas. Tudo. Mas sem que nada pareça tão definitivo, grande, opressivo.

=)