segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Vômito

"Há dias em que eu ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite inteira chorando."
Explicação - Carlos Drummond de Andrade


A Vida é muito escrota.

Tá ela agora lá,
rindo da minha cara.
Rindo, me dizendo:
- Caiu, otária!

Otária.
Uma piada,
joguete na mão
da Vida.

Eu que pensava
saber tanto de mim.

Merda de mundo relacional,
aqui todo mundo mente.

Todo mundo mente
e quem diz a verdade
e pensa ouvir a verdade
é um babaca
burro
desavisado

Que esperança
é pra eu ter nas pessoas?
Que fé que é
pra eu ter na humanidade?
Se esse lixo todo mente
se destrói
se engana
envaidece

Que nojo de todos vocês.
Ferem-se uns aos outros
Esmagam corações bonitos
um por um
mortalmente
até que não reste um só
coração bonito.

A felicidade é uma mentira que inventaram
pra que a queda dos inocentes
seja ainda de mais alto.
Quanto maior a queda
maior a risada dos magos regentes
dessa tragédia humana.

Eu odeio todos vocês
porque vencem sempre
Causam uma queda
depois de outra queda
cada uma mais alta
que a outra

E é genial.
Pois quanto mais eu resisto
insisto na esperança
na inocência imbecil de sonhar
quanto mais alto eu vôo
é sempre maior a queda
e tão mais alta a risada de vocês.

Eu os odeio por terem montado
essa máquina cruel que é o mundo:
se eu resisto,
eu perco.
Se desisto,
embruteço,
perco.

Pra que serve a poesia
se esse mundo é só mentira
e poesia é só verdade?

A poesia é uma venda
que me mostra só as nuvens
e esconde a podridão.

Fico andando às cegas
à beira de abismos
sempre caindo
sempre caindo
sempre fazendo
a alegria de vocês.

1 comentários:

Tiago Miçanga (o Berro d'água) disse...

oi compre seu livtrtinho lá no CEP... ACHEI FABULOSA a poesia "multisabor" ... to querendo musica-la posso???