Sem ti, virei um.
Tive que saber andar só
nos solos ariscos
do semi-árido do mundo.
E foi bem.
Natural que os sonhos caiam,
a vida mude,
a gente ande crescido
com a bagagem de tristeza nas costas.
Cresci.
Um só,
mala nas costas.
O semi-árido do mundo
enredando meu coração.
Eis que apareces,
altivo do céu de lugar nenhum
pingando uma gota de dó
que me encharca os olhos,
tempestadeia minhas horas
e me varre o sentido.
Os outros ficam o sendo, só
e eu mal entendo
como a tua gotazinha
penetra meu solo seco
mais fundo que qualquer chuvaréu.
Explode a flor da saudade.
Do que não vivemos,
dos sonhos que tivemos.
Nosso futuro inchegado,
as vontades inconsumadas,
a camaradagem criança,
a tua minha proteção.
A tempestade passada,
fica o orvalho-lágrima
nessa planta que não morre
(não importa o tempo passe)
que tu brotaste em mim.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Chuva no meu sertão.
terça-feira, 15 de julho de 2008
1997
Pensei que estava há muito tempo sem publicar nada aqui, mas na verdade nem era tanto. De qualquer forma, resolvi futucar se tinha algo pronto, já que inédito agora não sai.
Esse poema eu fiz pro Marcos, meu primo de 11 anos, meu menino preferido, meu primeiro bebê, o homem da minha vida. E, a partir do ano que vem, mais uma saudade pra minha coleção.
Ela me disse
que é preciso
ir embora
outra vez.
Engoli seco o soco,
meio com jeito
que já esperava.
Não esperava.
Ter que fingir de novo
que, já que sou novo,
não tenho raiz.
Vi nos seus olhos
que ela usava
toda sua força
pra não desabar
em frente de mim.
Ela,
que tanto lutou
para conseguir
nos estabilizar.
Que fazer?
Vamos lá.
Pr'um novo lugar
pra recomeçar.
É onde a ciência está
É onde dá
pro papai trabalhar.
As minhas raízes jovens
eu posso cortar.
Os meus adeuses velhos,
reutilizar.
Esse poema eu fiz pro Marcos, meu primo de 11 anos, meu menino preferido, meu primeiro bebê, o homem da minha vida. E, a partir do ano que vem, mais uma saudade pra minha coleção.
Ela me disse
que é preciso
ir embora
outra vez.
Engoli seco o soco,
meio com jeito
que já esperava.
Não esperava.
Ter que fingir de novo
que, já que sou novo,
não tenho raiz.
Vi nos seus olhos
que ela usava
toda sua força
pra não desabar
em frente de mim.
Ela,
que tanto lutou
para conseguir
nos estabilizar.
Que fazer?
Vamos lá.
Pr'um novo lugar
pra recomeçar.
É onde a ciência está
É onde dá
pro papai trabalhar.
As minhas raízes jovens
eu posso cortar.
Os meus adeuses velhos,
reutilizar.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Não digas
É pensar no teu corpo
pra me faltar o ar.
Não quero o teu futuro.
Não quero os teus cortejos.
Eu quero só o teu corpo
inteiro, todo exposto,
disposto aos meus desejos
por um momento infindo,
sentindo pulsar célere
meu coração carnal.
Esquece-te dos versos
e corre as tuas mãos
fortes pelos meus pelos.
Eu quero que te percas
por entre os meus cabelos
Eu quero em minha boca
teus gostos agridoces.
Eu te quero meu cúmplice
por só alguns instantes.
Exijo só uma coisa:
Exijo que não digas -
Exijo que te cales
mas, por favor,
não digas -
Exijo que não digas,
não digas que me amas.
Quero só que me queiras
entregue, na tua cama.
Mas não deves dizer
- Jamais deves dizer! -
não digas que me amas.
pra me faltar o ar.
Não quero o teu futuro.
Não quero os teus cortejos.
Eu quero só o teu corpo
inteiro, todo exposto,
disposto aos meus desejos
por um momento infindo,
sentindo pulsar célere
meu coração carnal.
Esquece-te dos versos
e corre as tuas mãos
fortes pelos meus pelos.
Eu quero que te percas
por entre os meus cabelos
Eu quero em minha boca
teus gostos agridoces.
Eu te quero meu cúmplice
por só alguns instantes.
Exijo só uma coisa:
Exijo que não digas -
Exijo que te cales
mas, por favor,
não digas -
Exijo que não digas,
não digas que me amas.
Quero só que me queiras
entregue, na tua cama.
Mas não deves dizer
- Jamais deves dizer! -
não digas que me amas.
sábado, 5 de julho de 2008
A Comuna Encantada
Meu caderno/diário/comoqueiramchamar que começou em julho do ano passado acabou há uns dias. Estava dando uma relida nele e achei isso. Bem divertido =)
"Cinderella vivia presa numa sociedade de classes. Ela vendia sua força de trabalho para um conjunto de intelectuais burgueses e estudava numa instituição de ensino superior burocratizada e sucateada pelo capitalismo neoliberal.
Eis que, um belo dia, o comunista encantado lhe surgiu. Montado num alazão vermelho, ele promoveu, junto com sua companheirada, a revolução bolchevique e acabou com a sociedade de classes desigual em que Cinderella vivia.
O bravo militante tomou Cinderella pelas mãos e apresentou a ela os encantos da Comuna Encantada. Nela não havia fome, exploração do homem pelo homem, violência, coeficiente de rendimento ou Reforma Universitária. Todos tinham uma visão global do processo produtivo, que era de subsistência, e a arte, os sentimentos e os sonhos não eram alienáveis.
Cinderella, o comunista encantado e toda a população, que vivia agora de forma igualitária, viveram felizes para sempre.
[Eu deveria dar um papel mais ativo à Cinderella. Depois eu repenso a história em moldes feministas.]"
17.10.2007
"Cinderella vivia presa numa sociedade de classes. Ela vendia sua força de trabalho para um conjunto de intelectuais burgueses e estudava numa instituição de ensino superior burocratizada e sucateada pelo capitalismo neoliberal.
Eis que, um belo dia, o comunista encantado lhe surgiu. Montado num alazão vermelho, ele promoveu, junto com sua companheirada, a revolução bolchevique e acabou com a sociedade de classes desigual em que Cinderella vivia.
O bravo militante tomou Cinderella pelas mãos e apresentou a ela os encantos da Comuna Encantada. Nela não havia fome, exploração do homem pelo homem, violência, coeficiente de rendimento ou Reforma Universitária. Todos tinham uma visão global do processo produtivo, que era de subsistência, e a arte, os sentimentos e os sonhos não eram alienáveis.
Cinderella, o comunista encantado e toda a população, que vivia agora de forma igualitária, viveram felizes para sempre.
[Eu deveria dar um papel mais ativo à Cinderella. Depois eu repenso a história em moldes feministas.]"
17.10.2007
quarta-feira, 2 de julho de 2008
A nós
Nossas almas são empáticas.
Urros de dor habitam
nossas entranhas.
Uma angústia homóloga
se aloca em nossos peitos:
Sinto o que sentes.
No entanto,
beijo outras bocas
na noite úmida,
enquanto uivas com medo
um choro pra lua.
Nossas almas são irmãs
opostas e idênticas.
Interdependentes
e tanto afastadas.
Queria tanto que pudéssemos
resolver nossos problemas!
Eu aceitar teus sonhos
frágeis e quebradiços,
E aceitares meu manto
curto, volátil, triste.
Não sei que fim levaremos
levando essas pedras em dentro.
Seja o que for, eu espero,
havemos de ser mais completos.
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