sábado, 30 de agosto de 2008
O vento fumou meu cigarro.
e eu fumei o meu cigarro
com meu jeito de poeta,
rindo do tal Bem-me-quer.
Olhei pra festa de longe
e vi poesia na cena.
Poesia nas garrafas,
líquido lasso poema.
A solidão tava ali,
dançando por entre as gentes.
Arisca, rindo-se toda
para os corações querentes.
A distância
aproxima os corpos
depois de alguns copos.
Mas isso é coisa de noite
somada à cerveja
e a alguns cigarros.
O samba tocando,
Baía brilhando...
faz certos desejos
tornarem-se claros.
Só o que não clareava
era o meu coração.
Me aparecia em lágrima
mas nunca me explicava
o que é pra eu sentir.
O vento fumou meu cigarro
e a solidão riu pra mim.
Eu saudei-a de volta
do meu jeito poeta,
ri do meu peito confuso
e fui-me embora da festa.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Esperando na pracinha.
Eu queria morar em uma
cidade cenográfica pequena,
dessas em que as pessoas se encontram
toda noite,
sem combinar,
numa pracinha.
Eu iria pra lá agora
comer um saco grande de pipoca,
assistir as crianças jogando,
as luzes dos postes fazendo
uma fotografia bonita
nessa minha cena.
Quando eu já 'tivesse
lambendo o leite condençado
e o açúcar caramelado
dos meus dedos,
eu te veria passar
voltando da lida cansado,
distraído e emburrado
pensando nas coisas
e quem sabe em mim.
Iria pensar duas vezes
antes de te interromper.
Mas eu ia.
Eu ia porque precisava
te dar num braço
o que o dia inteiro
eu quis de você.
Carinho.
Assim, despretensioso,
digno de uma pracinha
de cidade cenográfica
pequena.
Encanto
quando se está encantado.
Feitiço difuso e esperto,
toma conta do sujeito
na surdina, bem discreto,
assoprando pra bem longe
a tristeza que há nas coisas,
arrumando os espaços
para as lembranças boas
e para as vontades tantas.
O encanto surpreende sua vítima
ao revelar-se casado
com a carne, com o mundo.
No final das contas,
a magia das coisas mundanas
é a mesma das coisas mágicas.
Ah... esse encanto!
Acalanta meu peito
cansado das batalhas,
faz ninar inquietações
e abarca meus pensamentos
quando o mundo tá querendo
me pintar de preto e branco.
Não,
se, pelo encanto,
sou colorido,
brilho luzindo
em tom desorientado
que não diz a que veio
nem pra onde vai.
O encanto faz dessas
travessuras com a gente.
Quando se vê,
já se sente.
Aí é isso:
Poemas abobalhados,
sorriso estampado.
A tristeza que me perdoe,
mas é que eu fui ali
e demoro pra voltar.
domingo, 17 de agosto de 2008
Porque é bom.
Vem ser meu parceiro
nesse medo doce
que é o de amar.
Eu tô só de charme
e você bem sabe!
Me carrega pro seu mar!
Se o meu sorriso brilha
e seus olhos clareiam,
vamo iluminar o mundo!
Vamo engrandecer a vida.
Ela é curta,
mas é muita,
se eu do seu lado
e você do meu.
Deita aqui comigo
nessa areia branca,
de frente pro mar.
Eu também te quero
e também tenho medo,
mas deixa pra lá!
Vamo se deixar levar
sem ter certeza,
sem bem pensar.
Vamo ficar junto
só pelo querer,
porque é bom gostar.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Sinfonia de Silêncios
A idéia é boa, com sorte eu consiga trabalhá-lo mais. Mas vai aí o que tem até agora, mais pela significação do momento do que pelo poema em si.
Mas como eu queria uma resposta, algum tipo qualquer de entendimento...
Pelo barulho cotidiano do mundo,
a sinfonia de silêncios caminha,
querendo camuflar-se entre as coisas.
E às vezes consegue.
O mundo se preocupa tanto
em manter seu embarulhamento,
que deixa o silêncio em seus cantos
quieto, silente, discreto,
sem se deixar perceber
que o silêncio
também sente.
Contudo, em pequenos quandos,
o silêncio se faz notar
- já que tudo que dista, destoa -
e o barulho do mundo o expreme
pra fazer o silêncio gritar.
"Fala, silêncio!", ele diz.
"Perdeu a língua, silêncio?", provoca.
"Silêncio, sai desse canto!
Se embarulha comigo,
que essa sua sinfonia
é um descompasso só!"
Descompasso.
O silêncio se descobre descompasso.
A sua sinfonia tão bonita,
a notação tão única das pausas:
descompasso.
O silêncio chora o seu descompasso.
O silêncio grita,
o silêncio se embarulha.
O mundo ri, sem interesse,
e segue regendo a sua
manutenção de barulheira,
sem se deixar perceber
que o silêncio
também chora.
Mas aí o choro acaba
e o silêncio ressereniza.
Cata os cacos,
volta aos cantos,
põe as pausas no lugar.
Nesses quandos
é só sinfonia.
Esses cantos,
bonitos que só.
Só
o silêncio
sempre
refaz
seu canto.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Roda de Poesia do ICHF
Ela vem como afilhada da Poemática, só que mais despretensiosa e menos equipada. Como uma roda de samba, só que poética, funcionará assim: a galera vai chegando, trazendo seus textos (de autoria própria ou não) e dividindo com quem estiver lá pra ouvir. Vale arte de todo tipo: poema, conto, performance... o que for.
A atividade está ligada a calourada do curso História da UFF, mas a idéia é que quem estiver a fim de participar, chegue junto. Será no bloco N do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia do campus do Gragoatá, em Niterói.
A hora é boa! Espero vê-los por lá.
sábado, 9 de agosto de 2008
Fico OU Poema pra mim.
e eu fiquei.
Dançavam uma dança
de fogo, de bicho.
Cumpriam seus destinos:
instinto de máquinas.
Há mágica nas vidas
autômatas dos outros.
Magia das coisas mundanas,
palpável bruteza mágica.
Eles foram, lá na frente,
fazendo o que parece
ter sentido:
Exploram os sentidos,
conscientizam-se dos corpos.
Eles vão indo...
e eu fico aqui,
observando de longe,
conscientizando-me
da minha alteridade.
Entedendo que
"aceitar-se"
tem que ser mais
do que discurso.
Eu fico.
Fico!
Eles que vão.
Eu fico, admito,
e me aceito:
I'm a dreamer,
eu tenho uns sonhos.
Eu piso em nuvens;
a minha magia eleita
é ainda a magia
das coisas mágicas.